Acende o farol!

Noite dessas saí do estacionamento do shopping dirigindo, entretida conversando com minha mãe, e só fui perceber que havia esquecido de ligar os faróis quando estava quase chegando em casa. Isso me fez refletir sobre duas coisas. A primeira, claro, sobre como o prejuízo vai ser grande caso algum guardinha tenha notado a minha gafe. A segunda, mais profunda, foi sobre como muitas vezes faço as coisas no automático, de maneira displicente, sem estar por inteiro naquilo. Tudo bem, vai. Escovar dente ou amarrar cadarço não exige da gente tanto foco. Mas dirigir é coisa séria, pode colocar vidas em perigo, não é brincadeira.

A questão é que vou executando as tarefas no automático, do tipo almoçar olhando para a tela da TV ou do celular, conversar com as pessoas ao mesmo tempo em que checo o instagram, tomo banho pensando nos boletos que irão vencer, assisto ao culto de domingo pensando no que é que vai ter pro almoço. E por aí vai…

Tsc, tsc, tsc. Coisa feia, menina, pare já com isso! A vida não é um filme que se você perder uma cena pode voltar para assistir de novo, nem um livro que se você não entendeu direito ou se adorou uma parte, pode reler quantas vezes quiser. A vida é só um virar de página. É tipo um vento breve que quando a gente sente, já passou e foi embora.

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É errado esquecer de ligar os faróis à noite, assim como é errado sair dirigindo sem prestar atenção no caminho. Podemos dar de cara com uma contramão, com buracos enormes na pista, com gente cruzando nosso caminho de repente, com um viaduto inacabado cujo final vai dar num precipício. Precisamos ser astutos para dar marcha à ré e voltar por onde viemos, para pegar atalhos quando possível, ou escolher caminhos mais longos quando a prudência falar mais alto que a pressa. Astutos para buzinar quando precisamos desobstruir o caminho, para ficar em silêncio e engolir sapo quando o motorista ao lado está nervosinho e resolve soltar os cachorros em você, para afundar o acelerador quando podemos alçar voo, ou acionar os freios quando não der para seguir mais. Nunca esquecendo de olhar os retrovisores. Pode ter gente atrás tentando te seguir para que você indique a direção certa. De que adianta chegar rápido a um lugar e ficar sozinho? Além disso, as ruas não são apenas nossas e o “tá com pressa? Passa por cima!” não pode ser literal. Passar por cima de alguém nunca é bom. Nunquinha mesmo.

Enfim, fiquei viajando na maionese sobre essas coisas. Vou ficar mais atenta para não mais esquecer os faróis desligados e para não perder nada importante enquanto minha atenção estava em outras coisas. Como dizia o poeta, “a vida é o que acontece enquanto estamos ocupados fazendo planos”.

 

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