Pele Fina

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Sabe aquelas pessoas que a gente precisa pisar em ovos para falar com elas? Que se chateiam por qualquer coisinha, ficam magoadas sem a gente nem saber o porquê, emburram ou se afastam caso você ouse falar com elas num tom mais forte? Pois é, tem um apelido para esse tipo de pessoa: pele fina. E eu estava me tornando uma “pele fina” nata. Eu não demonstrava estar com raiva das pessoas, nem cortava relações, mas por dentro me sentia triste, diminuida, excluída, desvalorizada. Achava que estavam ferindo meus sentimentos. Quanta bobagem! Descobri que não são os sentimentos que ficam feridos, e sim o ego. Caramba! Nunca imaginei que eu fosse tão egocêntrica. Porque, de fato, tenho o meu lado altruísta, não guardo rancor, perdoo fácil e além disso, nunca fui egoísta ou sovina, nem mesmo me comportei de forma soberda, me achando melhor do que os outros. Bem, pelo menos eu creio que não.

Mesmo assim, me descobri com o ego inflado. Talvez o jeito que nossa geração foi criada, com nossos pais tentando ao máximo nos proteger das frustrações, nos fazendo acreditar que somos ótimos e que o futuro nos reservava o sucesso. E aí, nos deparamos com uma vida simples, onde não somos tão extraordinários quanto nos julgávamos ser, nem tão populares, e muito menos necessários. Somos mais um pontinho no universo. E mesmo quando estamos deprimidos ou cansados, o mundo não para de girar.

Acham que estou sendo pessimista? Pois eu chamo isso de amadurecimento. Quando crianças, fazemos tudo para chamar a atenção, para receber aplausos de muito bem, presentes como recompensa, sorrisos e afagos dos pais. À medida que crescemos, os apalusos e recompensas se tornam escassos. Precisamos aprender a fazer tudo com excelência, mesmo quando não tem ninguém olhando, mesmo que não recebamos um biscoito Scooby e um afago na cabeça com alguém dizendo “good boy”.

Eu queria ser especial e estimada como uma taça de cristal. Só que o cristal quebra muito fácil. Não aguenta o tranco. Qualquer coisinha, já era. Pensando bem, prefiro ser uma caneca de ferro, no melhor estilo Senhor dos Anéis. Daquelas que resistem às quedas, ao inverno, ao tempo. Mesmo com ferrugens e arranhões, elas permanecem firmes e úteis por muitos anos.

Talvez para Deus eu seja especial e estimada como o cristal, porque se Ele morreu por mim, é porque me ama, me protege e não me considera só mais um pontinho no universo. Contudo, sei que Ele não precisa de uma cristã egocêntrica que fique intacta na estante, só para enfeite. Ele precisa de uma cristã disposta a levar tombos, se reerguer, lutar, enfrentar os golpes da vida, suportar as dores, lutar o bom combate, perseverar e sobreviver a esse mundo onde o amor está esfriando.

Não quero mais ser “pele fina”. Bom mesmo é ser “casca grossa”!

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