Preciso andar

Vou partir em uma jornada. Embarco para o Velho Continente na próxima semana.
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Vou em busca de mim.
Em algum momento do caminho, eu me perdi. Não sei onde. Talvez quando meu irmão nos deixou. Talvez quando descobri que eu não era a última bolacha do pacote. Talvez foi aos poucos, de decepção em decepção. Talvez eu sempre estive perdida e só me dei conta disso agora. O fato é que estou como uma barata tonta e preciso me encontrar.
Como Cartola disse uma vez:
“Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver
 
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar.”
Preciso me mover, andar por aí. Preciso sair do local físico em que estou e existir em outro lugar. Apenas existir.
Talvez eu me encontre no Alasca como Chris Mccandless, ou na Pacific Crest Trail, como Cheryl Strayed. Talvez eu me encontre peregrinando no caminho de Compostela como Paulo Coelho, ou num barquinho no meio do oceano como o Velho de Hemingway. Eu não sei. Não sei de nada. Só sei que preciso andar, me mover no mundo já que o mundo dentro de mim estagnou.
É uma jornada individual e subjetiva. Não sei se compartilharei tudo aqui no blog. Pretendo escrever sobre isso como estou fazendo agora, mas não tenho certeza se devo. Sim, talvez eu escreva. Se houver algo que mereça ser contato. É isso! Não escrevo histórias sobre mim porque ainda não encontrei a história que mereça ser contada.
Eu sempre acreditei que minha vida teria um auge e esperei por isso durante toda a adolescência. Quando compreendi que já era adulta, comecei a achar que o auge já tinha passado, ficado lá para trás justamente na adolescência. Cheguei num ponto da estrada em que o rastro da trilha desapareceu. Não há placas indicando a direção, nem atalhos, nem mapa, nem bússola, nem estrelas, muito menos equipe de resgate. Sou só eu, sozinha, no meio do nada… ou no meio de tudo.
Eu queria ser a pessoa que chega aos 32 anos com a situação resolvida. Carreira consolidada, família estruturada, metas estabelecidas, inglês dominado, gostos definidos… Infelizmente não sou essa pessoa. Ou será felizmente?
Às vezes me sinto como naquele filme “De repente 30”. Como se eu tivesse passado dos 14 anos direto para a vida adulta. Às vezes acho que ainda sou aquela menina de 14 anos que curtia Planet Hemp, usava calças skatistas e sonhava com a liberdade. O tempo passou muito depressa. Clichê dizer isso né?! Mas foi. Passou depressa demais. E nem tudo foram flores. Descobri que as coisas nem sempre dão certo no final. Acho que foi nesse momento que me tornei adulta.
“Mas tudo que você viveu fez de você o que você é hoje”, alguns dizem. E quem disse que eu gosto da pessoa que me tornei?
Por isso vou andar por aí. Para me encontrar. Ou para fugir de mim mesma. Seja jornada ou fuga, a passagem está comprada, a mochila cargueira está pronta, o roteiro ridiculamente planejado. Dessa vez, sem expectativas. Dessa vez, sem sonhos. Dessa vez, sem esperança. Eu apenas vou. Existir… apenas.
Talvez eu não precise me encontrar. Talvez eu deva ser encontrada. Alcançada mais uma vez pela Graça. Mais uma vez liberta, mais uma vez curada, mais uma vez limpa e restaurada. Mais uma vez salva.
Eu não posso salvar a mim mesma. Só há um que pode fazer isso.
Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a me procurar. Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a Te procurar. Se alguém por mim perguntar, diga que só vou voltar depois que eu me encontrar… Depois que eu te encontrar. Te encontrar… Você que já está aqui dentro de mim. Minha razão sabe disso, sabe que você está aqui dentro de mim. Tua Palavra e teus ensinamentos são as placas que indicam o Caminho. Teu amor e tua misericórdia são a equipe de resgate. Teu sangue e tua vida são a esperança. E mesmo minha razão sabendo de tudo isso, continuo a divagar, a querer andar por aí para me encontrar. Para te encontrar. Acha-me, Senhor.

2 comentários em “Preciso andar

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