Lapso de lucidez… ou insanidade

Ontem, no fim do dia, já me preparando para dormir, tive um lapso de lucidez. Ou pode ter sido um lapso de insanidade. Comecei a pensar nas coisas ao meu redor. Eu não as enxergo. Eu não as amo. Estou muito ocupado pensando no próximo passo rumo à felicidade. Sonho em viver em outro país, aprender uma nova língua, saborear diferentes temperos, apreciar músicas de outras raízes, andar por aí sem rumo, como se a felicidade estivesse me esperando em alguma esquina. Contudo, nesse lapso entre a lucidez e o desvario, percebi que a felicidade sempre esteve embaixo do meu nariz. Está nas flores do meu jardim que eu não rego, está nos meus animaizinhos de estimação que eu não acaricio, está nas paredes da minha casa que eu ignoro, está nos alimentos da minha geladeira que eu desprezo, está na minha cama confortável que eu não ligo a mínima, está no carro que eu dirijo que eu não admito o privilégio, está nos amigos que me cercam e que eu duvido do amor, está na família que zela por mim e que eu sou distante, está na moça que trabalha aqui em casa e me ajuda em tudo, e que eu não valorizo como deveria, está no meu marido que me ama e que eu insisto em querer me afastar. Está na minha saúde, na minha beleza, na minha inteligência, que eu não reconheço como Graça, está nos meus talentos que eu não admito como dádiva. Está no Deus que eu sirvo e não compreendo o seu Amor.

Sim, tive esse breve lapso ontem. Mas quando acordei tinha voltado a ser eu mesma. Que pena!

Eu queria ser essa pessoa que acorda de manhã com um sorriso, que prepara um café da manhã gostoso para a família e se regojiza à mesa com as coisas simples como pão e leite, que rega as plantas e acaricia os animais de estimação, que observa as paredes e imagina um quadro novo ou uma cor diferente, que enxerga as pessoas ao redor e as escuta. Sim, queria ser uma pessoa que escutasse mais do que falasse. Eu queria ser essa pessoa que compreende o Amor de Deus e confia Nele. Que sabe que mesmo que a tristeza seja mais comum do que a alegria, o bem vencerá no final. Queria ser uma pessoa grata por tudo o que sou e o que tenho, ao invés de olhar para o que não sou… e o que não tenho.

Sinto-me envergonhado. Sim, por saber o caminho da felicidade e mesmo assim seguir para o lado oposto.

A ilusão me faz crer que serei livre longe de Ti e de todos. Mas a verdade é que quanto mais me afasto, mais me perco nesse labirinto que se chama eu.

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2 comentários em “Lapso de lucidez… ou insanidade

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