A Lei da Ondulação

“Os humanos são híbridos – metade animais (habitando a temporalidade), metade espírito (pertencentes à eternidade)”. É assim que C. S. Lewis começa a explicar o que ele chama de Lei da Ondulação. Aquilo que é terreno sofre mudanças o tempo todo. No entanto, o que é eterno é imutável e imortal. Seguimos o caminho, escrevendo nossa história, carregando em nosso coração esse paradoxo temporal x eterno. Buscamos uma vida feliz aqui e agora, ao mesmo tempo em que desejamos encontrar a plenitude e viver para sempre.

onda

Na nossa vida, quase nada é constante. A condição financeira, as afeições, a situação profissional, a segurança no lugar onde habitamos, os sentimentos e emoções, a saúde física e mental… Aquilo que mais se aproxima da constância é a Lei da Ondulação. As ondas no mar surgem uma seguida da outra de maneira perene, assim como os altos e baixos em nossa vida. Enquanto vivermos na Terra, “períodos de riqueza e vitalidade física serão alternados com períodos de pobreza e enfraquecimento”.

Quando vivemos um momento bom, desejamos que ele nunca acabe e sempre que esse tempo de alegria passa, ficamos com a sensação de que “tudo que é bom dura pouco”. Ao contrário, os momentos ruins parecem durar uma eternidade e sempre nos causam a sensação de que nunca sairemos daquele estado de aridez, que muitas vezes nos parece insuportável.

De acordo com a Lei da Ondulação descrita por C. S. Lewis em seu livro “Cartas de um Diabo ao seu Aprendiz”, nossa história é como um mar, cheio de ondas. Ora ondas pequeninas e brandas, ora ondas gigantes mais parecidas com tsunamis. Tudo passa. Tanto os momentos de alegria, onde atingimos a crista da onda, quanto os momentos ruins.

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O que surpreende é saber que quando Deus quer nos ensinar algo e transformar o nosso caráter, ele conta mais com os baixos do que com os altos. Há momentos em nossa vida que Deus nos deixa caminhar com as próprias pernas, “permite que passemos por tribulações, para que nos transformemos naquilo que Ele quer que sejamos”.

É nos baixos, muito mais do que nos picos, que precisamos de fato exercer nosso cristianismo e lançar mão das virtudes da fé, da esperança e do amor. São “as preces oferecidas num estado de aridez as que mais agradam a Deus”, porque nesses momentos nos ajoelhamos no chão, colocamos o rosto no pó, quebrantamos o nosso coração e admitimos que sozinhos não somos nada, que sem o Senhor não podemos fazer nada, que viver sem Cristo é um salto no vazio.
sorriso triste

Diferente do que alguns pensam, Deus nos dá a perfeita liberdade. Ele quer servos que possam se tornar filhos, quer que nos tornemos um com Ele não porque  precisa ser preenchido, mas sim porque está repleto e transborda. E se Deus é amor e se “tudo coopera para o bem dos que O amam”, então não devemos temer os momentos de baixo em nossa vida. Precisamos ficar firmes na Rocha, na esperança de que a tribulação vai passar e que a bonança logo chegará. Lembre-se de que é no momento de tribulação que teremos chance de provar se realmente amamos a Deus e queremos obedecê-Lo. A sensação de solidão pode estar presente no seu coração, mas é uma solidão apenas aparente. Deus é onisciente, onipresente e onipotente e, através de seu filho Jesus Cristo, já garantiu que o Bem vencerá no final. Finalizo com os versos da linda canção de Marcos Almeida:

“Toda dor é por enquanto…

Vem completando a obre

Que começa agora

Misturada na dor

Que é por enquanto

Vem completando a obre

Que começa agora

Misturada no amor

Que é para sempre”.

https://www.youtube.com/watch?v=g6el3H5kGDs

onda 2

 

 

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