Viver é Adaptar-se – Parte 2

Viver é adaptar-se. Isso não vale só para quem é deficiente, mas para todos nós. A vida sempre nos apresenta situações novas que, em diferentes graus, nos obriga a mudar, a descobrir uma nova maneira de viver e sobreviver.

No meu caso, dentre tantas mudanças – algumas boas, outras terríveis -, uma delas que exigiu de mim coragem e força foi a área profissional. Sempre trabalhei com coisas que eu gostava, mas nunca, nunquinha trabalhei com algo que amava. O resultado foi a frustração (já falei mais de uma vez sobre isso no blog). Foi quando em meio à crise existencial, descobri que escrever não era apenas um hobby, mas um talento. Descobri também que esse talento não deveria permanecer enterrado, mas que eu poderia desenvolvê-lo e usá-lo para o bem, meu e do meu próximo.

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Com o apoio da família e de amigos, destacando minha mãe e meu marido, comecei a investir no sonho de me tornar escritora. Dentre os diversos textos guardados, escolhi um e publiquei (Um Ano Bom). A princípio 50 exemplares, depois aumentei gradativamente. Conheci outros escritores, aprendi mais sobre o universo da literatura, comecei a participar de eventos, a visitar escolas, a ler mais literatura nacional, a fazer parcerias com blogs e ig’s, enfim, a finalmente trabalhar duro em algo que amo.

Muitas vezes, quando lecionava em sala de aula, chegava em casa decepcionada, cansada, com um sentimento ruim de desperdício de tempo, vida, energia e inteligência. Também não é objetivo deste texto dissertar sobre a carreira de professor no Brasil, que todos sabem que é pauleira. O problema muitas vezes era mais dentro de mim do que fora. O que mais me entristecia era a sensação de não-reconhecimento, como alguém que detona no The Voice e não recebe um mísero aplauso, nem mesmo de consolação.

Salomão já dizia, “tudo é vaidade”. Paulo disse, no entanto, “que tudo posso, mas nem tudo me convém”. Entre os ensinamentos de Salomão e Paulo há um equilíbrio na busca pelo sucesso. Acredito que todo mundo quer ser bem-sucedido, e isso não envolve necessariamente grana, que com certeza é algo necessário e gratificante. Não se resume também à fama e glamour, o que algumas vezes deve ser bem gostoso. Para mim, ser bem-sucedido e realizado é você ter a certeza de que o seu trabalho é importante para alguém, é valorizado, faz bem para as pessoas e faz a diferença no mundo. E isso, meus amigos, tenho experimentado pela primeira vez com a literatura.

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Assim como o André, meu marido, precisou se adaptar à nova rotina, à mim, à sua condição de cadeirante, eu precisei me adaptar à nova condição de iniciante em uma carreira. Após um curso técnico, uma graduação, um mestrado e dezenas de outros cursos, voltei à estaca zero de aprendiz.

Pasito por pasito tenho conquistado meu espaço no hall dos escritores brasileiros contemporâneos e também um espacinho no coração dos meus leitores. Claro, conto com o apoio de muitas pessoas: família, mãe, marido, amigos, escolas, professoras, colegas de profissão, minha editora, profissionais de distribuidoras e livrarias, leitores beta, meus parceiros queridos no Instagram, no Face e Blogs, meus leitores, etc. Conto principalmente com o apoio de Deus. Nada tenho que do céu não me tenha sido dado.

Ainda estou na fase do “investir”. Investir tempo, energia, dinheiro, capital cultural, vida. Mas não passa uma semana sem que eu tenha a deliciosa sensação de que meu trabalho é importante para alguém, que é valorizado, que minhas histórias e palestras fazem bem para as pessoas e que, como na história do beija-flor que tentava apagar o incêndio com a água que levava no bico, meu trabalho faz a diferença no mundo. Minhas histórias falam de amor, fé e esperança e nos fazem lembrar de que o bem sempre vence no final.

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Aqui vai um exemplo do que estou tentando dizer: nesse mês estive duas vezes em Betim (MG), em instituições de ensino e de promoção da cultura. Um motorista veio me buscar em casa e depois me trazer de volta. Quando cheguei na Ramacrisna, fui recebida pela equipe com um bolo quentinho, recepcionada por alunos super interessados e espertos. Após um almoço com gostinho de casa de vó e de ganhar um presente de artesanato lindo, fui para o Salão do Encontro. A turma já me esperava na biblioteca ansiosa, me ouviu com atenção e olhinhos brilhando, fizeram perguntas, pediram autógrafos e fotos. Depois fui direcionada para um outro ambiente super agradável e ali me esperava um lanchinho com o melhor pão de queijo que já comi na vida.

Ganhei de presente um “cochicho” (pergunta pro Google o que é), abraços, elogios, agradecimentos e muito, muito carinho de toda a equipe. Meus livros foram comprados para colocar nas bibliotecas das instituições e funcionários também vieram ao meu encontro para me conhecer. Imagina, uma escritora de verdade assim, tão pertinho!

No outro dia que retornei, mais uma vez a visita ao Salão do Encontro foi linda e fui recebida com muito carinho. Depois foi a vez do Centro Popular de Cultura Frei Chico. Havia um mural com o meu nome e o nome dos livros, e mais uma turma gigantesca de alunos para me ouvir.

Não há como descrever a sensação de estar com o microfone nas mãos, tentando expressar o que de mais belo há em mim, para uma platéia que te olha nos olhos, aguça os ouvidos e ouve o que você tem a dizer. É um momento mágico quando as pessoas chegam perto para conversar, pedir um autógrafo, tirar uma foto. É de arrancar sorrisos bobos o resto do dia quando recebo uma mensagem pela internet ou uma cartinha de alguém que leu meus livros, se identificou com a história, se emocionou. Não há grana que pague isso, nem fama, nem glamour. Já fui em muitas escolas, humildes e imponentes, a sensação de felicidade é igual em todas.      

Como diz o título, viver é adaptar-se. Eu tenho tentando me adaptar a essa mudança em minha área profissional. Eu, com 32 anos, escolhi uma nova profissão e tive de iniciar da estaca zero. Todo escritor no Brasil sabe que não é fácil viver de livros. Entre a primeira publicação e a conquista de um público leitor fiel, há um vasto caminho a ser percorrido e muito investimento a ser feito. É preciso acreditar no sonho para perseverar.

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Acredito que toda profissão tenha seus perrengues e também seus momentos sublimes. A carreira de escritora não seria diferente. Mas o que me move é ter a certeza de que vale a pena. Nunca tive tanta certeza de algo em minha vida profissional como tenho agora, ou seja, de que quero que pessoas no Brasil todo e no mundo leiam as minhas histórias. E são momentos como estes que vivi em em instituições como Ramacrisna, Salão do Encontro, Centro Popular de Cultura Frei Chico, E. E. Luiz Gatti, Colégio Santa Maria Betim, E. M. Mestre Ataíde, e tantas outras, que me fazem perder o medo. São momento s assim que me ajudam a ter a coragem de continuar acreditando que o meu talento é verdadeiro e que não só eu mesma, mas outras pessoas também conseguem enxergar isso.

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Tenho me sentido realizada, importante e cheia de entusiasmo. E, depois de quase dois anos perdida no labirinto que eu sou, Deus, com sua preciosa luz e seu infinito amor me toma pela mão e me mostra mais uma vez o caminho em que devo seguir.

Agradeço a Deus e a todos vocês que me ajudam a tornar meus sonhos realidade. Muito obrigada!

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