Não Sou o Que Eu Sinto

Vivemos no Ocidente um tempo em que a ideia que prevalece na mídia e na produção cultural é a seguinte afirmação: Somos o que sentimos, nossa identidade depende de realizarmos nossos desejos e vontades, sem nos reprimir ou permitir que alguém nos diga o que é certo ou errado.

As verdades absolutas são atacadas todos os dias. Dizem por aí: Não há verdades absolutas! O que é verdade pra mim, pode não ser pra você. E vice-versa.

Olho para tudo isso e fico com medo. Sério mesmo! Porque, se não existem verdades absolutas, então tudo passa a ser relativo, inclusive o crime e a culpa. Se eu sou o que eu sinto, então preciso  deixar minhas emoções e desejos me guiarem, pois só assim serei feliz. Caramba! Isso é muito perigoso, e muito idiota também. Faço análise há anos justamente porque, muitas vezes, deixo minhas emoções me controlarem e sofro com as consequências disso. Raiva, paixão, saudade, tristeza, alegria, orgulho, vergonha, medo, coragem, desânimo, entusiasmo… O tempo todo vivemos emoções contraditórias e, às vezes, mal conseguimos identificar o que estamos sentindo. Fora que, se eu for listar todos os desejos que já tive nessa vida, conseguiria muitas ideias para livros de drama, romance, terror e fantasia.

Somos seres muito loucos e, principalmente quando somos jovens, tudo fica muito confuso e intenso. Até aprendermos a lidar com nossa mente e nosso coração, se é que algum dia aprendemos isso, a vida parece mais uma montanha russa.

                                               NÃO! EU NÃO SOU O QUE EU SINTO! 

Minha identidade não está ligada aos meus sentimentos e meus desejos. O meu EU é algo muito mais profundo e complexo do que meras emoções. Sim, as emoções fazem parte de mim, a maneira como reajo aos problemas e desafios, o meu temperamento, o meu jeito de ser, a intensidade com que amo e odeio… Sim, isso tem a ver com o que sou. Mas isso não define quem eu sou. Minha identidade está ligada a algo muito maior do que eu. O que move minha vida é a cosmovisão cristã na qual deposito toda a minha esperança e minha busca pela felicidade. Diante disso, minha identidade está ligada ao Deus que eu sirvo, ao amor que Ele derrama sobre mim e à Verdade que Ele me revela dia após dia. É isso que me ajuda a vencer o mal que há em mim e a me tornar uma pessoa melhor, um ser humano segundo a imagem e semelhança de Deus.

Pensamos que precisamos nos conhecer melhor para entendermos quem somos, fazemos análise, lemos livros, meditamos, tentamos ser introspectivos, nos dedicamos às artes, damos vazão às nossas vontades. Mas nada disso é capaz de nos revelar quem somos. Enquanto buscamos nós mesmos, nos distanciamos de quem somos. Todavia, quando buscamos a Deus, nos desconectamos da matrix e começamos a enxergar as coisas como elas realmente são. Quanto mais eu conheço a Deus, mais eu me conheço. É Dele que vem toda minha fonte de vida e alegria, tudo que existe e tudo o que sou. Acha isso complicado? Sim, um pouco. Envolve teologia, filosofia, e principalmente fé.

O que quero dizer é que não sou o que sinto. Eu não me basto. O vazio do meu coração é tão grande que não pode ser preenchido por mim mesma. Preciso de algo muito melhor do que eu, algo muito maior do que meu ego, algo que não seja finito, que não seja mortal. Minha fé me faz crer que esse algo na verdade é alguém. Quanto mais O conheço, mais conheço a mim mesma e mais descubro quem realmente sou.

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