Gratidão

Há algum tempo eu estava insatisfeita profissionalmente. Cursei faculdade e pós-graduação acreditando que o caminho que eu tinha escolhido era bom o bastante para me fazer feliz, mas, com o tempo, a sensação de que minha vida estava passando em branco começou a me sufocar.

Acredito que muitas pessoas já passaram ou estão passando por isso, ou seja, estão vivendo uma crise em alguma área da vida que grita por mudanças. Não estou aqui para lhe dizer o que você tem de fazer, pois cada um caminha como pode. Este texto é mais um relato da minha vida, com a intenção de inspirar você e te encorajar. O fato é que existem circunstâncias sociais, genéticas, emocionais, intelectuais e até cósmicas sobre as quais não exercemos nenhum controle. O desafio é aprender a viver bem a partir do que somos e do que temos, aceitando aquilo que não podemos mudar e tendo coragem de mudar aquilo que podemos.

No caso específico da minha profissão, muitas coisas acabaram acontecendo para que eu desse uma pausa na carreira que tinha escolhido aos 18 anos quando fiz vestibular. E aí, então, veio uma crise violenta, porque eu não sabia mais o que fazer da vida e, muito menos, o que fazer com o que eu tinha construído até ali. Por um período breve, o seguro desemprego me garantiu uma parte da renda necessária para eu pagar minhas contas. Graças a Deus e ao meu pai – que me deixou bens – não era exatamente a falta de grana que estava me deixando desesperada. O que gerou um total descontentamento em meu coração foi o fato de olhar pra mim e me sentir fracassada. Comecei a me comparar – tenho esse grave defeito – com outras mulheres e me sentir menos querida, menos amada, menos importante, menos feliz. Era como se eu tivesse vivido 30 anos da minha vida com a promessa de ser uma pessoa grandiosa, cheia de potencial, mas que no fim não havia construído nenhum legado. Eu sei, estava sendo ingrata, orgulhosa e até mesmo invejosa, e isso era horrível. Não sei explicar… Na minha mente eu sabia que tinha muitas coisas que agradecer, mas minhas emoções me puxavam para baixo, para um tipo de buraco negro, onde eu só conseguia enxergar as escolhas erradas que fiz e os meus defeitos.

Procurei ajuda obviamente, como já relatei em outros posts: psiquiatra, psicóloga, homeopatia, acupuntura, atividades físicas, leituras de teologia e filosofia e, principalmente, a oração e a Palavra de Deus. Não vou dizer que foi fácil. Foram dois anos lutando contra mim mesma, como se eu fosse minha pior inimiga. Eu me odiava e não suportava minha própria companhia. Nesses momentos de fraqueza, parece que o mal aproveita para invadir nossa alma através das frestas, nos levando a acreditar que a escuridão é melhor do que a Luz. Eu me debatia em minha própria carne, como alguém que é enterrado vivo. Nesse meio tempo, tive momentos bons e momentos terríveis. A noite durava mais do que o dia. Contudo, mesmo eu pensando seriamente em me perder como fez o filho pródigo da parábola, Deus me sustentou com Sua Graça. Como um pai que ama o filho incondicionalmente, ele me puxou para um abraço, vem enxugando minhas lágrimas, e segurando minhas mãos, como um pai segura o bebê que está (re)aprendendo a andar. Eu, que há mais de uma década conhecia a Verdade, me vi impregnada da “velha criatura” e descobri defeitos grotescos que nem imaginava ter. No entanto, Deus tem transformado o mal em bem, usando minha crise existencial para me ensinar a ser humilde, dependente Dele e a ter um coração grato.

“Que eu não me canse de agradecer”, essa tem sido minha oração. E o livro “Confissões”, de Santo Agostinho, tem sido meu livro de cabeceira. É maravilhosa a forma como Agostinho relata sua conversão e o que mais me impressiona é a intimidade que esse homem tinha com Deus.

Sempre vão existir pessoas que têm problemas muito maiores que o nosso. Porém, nosso termômetro só consegue medir o tamanho da nossa dor. É impossível comparar. A dor do outro jamais nos consola. O que nos consola é saber que existe o Bem, que existe  Luz, que existe Esperança. É essa esperança que nos ajuda a perseverar e seguir em frente, rumo ao alvo. Porque, como disse Agostinho, “com efeito, não só ir ao céu, mas também atingi-lo, não são mais que o querer ir, mas um querer forte e total, não uma vontade tíbia que anda e desanda daqui para ali, que luta entre si, erguendo-se num lado e caindo no outro.

Tenha força, meu amigo. Busque a esperança em meio ao desespero. Busque o amor em meio a esse mundo cheio de ódio. Só quando admitimos que estamos perdidos, é que começamos a nos encontrar. Se permita chorar e sofrer, mas entenda que o sofrimento humano não durará para sempre.

Grande abraço, Deus o abençoe.

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