Quando precisamos desistir…

Quando precisamos desistir…imagem-filme-livre

Era o primeiro dia de aula no curso de padaria quando meu novo professor, em seu discurso de apresentação,contou que muitos alunos desistiam do curso no meio do caminho e que eu deveria perseverar até o final, pois, segundo ele, tudo que a gente desiste acaba se tornando um peso sobre nossos ombros para o resto da vida. Fiquei com esta frase na cabeça. Lembrei de tantas coisas que eu havia abandonado: violão, violino, bateria, francês, blogs, cursos de curta extensão, textos, amigos, sonhos… Nem tudo se tornou um peso sobre meus ombros, mas, às vezes, me pego pensando que, se eu tivesse perseverado no violino por exemplo, já seriam quase 10 anos tocando e provavelmente eu já estaria razoavelmente boa. Ainda tenho o sonho de tocar ao menos uma música no violino. Como isso é quase um sonho remoto, acabo inventando algum personagem de uma de minhas histórias que toca violino com excelência. Vou realizando meus sonhos através de meus personagens.
Sim, eu concluí o curso de padaria. E sim, foi bom não ter desistido. Mas, de lá pra cá, já desisti de muitas outras coisas.
Há algum tempo eu assisti a um filme chamado “Livre”, que conta a história real de uma moça que perdeu a mãe e ficou revoltada com a vida. Ela acabou se metendo com drogas e estragando seu casamento. O triste é que ela realmente amava o marido e o perdeu por sua própria culpa. Após mais essa perda, ela decide percorrer uma trilha imensa (nos EUA) com uma mochila nas costas e uma botina nos pés. A ideia era o autoconhecimento através da solidão, da reflexão, do contato com a natureza e da releitura de livros que marcaram sua vida.
A certa altura da viagem, ela encontra um velho casal de fazendeiros que a hospeda por uma noite, dando a ela jantar, a permite tomar um banho e descansar um pouco em sua casa. Quando o homem a leva de volta para a estrada, antes de de despedirem, ele diz que reprova a ideia maluca da moça de percorrer sozinha uma trilha tão extensa. Ela pergunda a ele: “Acha que eu devo desistir?”. Ele responde que sim, que ele acha que ela deve desistir, porém que ela não deveria lhe dar ouvidos, pois ele havia desistido de muita coisa na vida: casamentos, empregos, sonhos, projetos… A garota então pergunda a ele se ele se arrepende de ter desistido dessas coisas. O fazendeiro diz que não se arrepende, pois tudo o que ele desistiu era porque não aguentava mais.
Esse trecho do filme também me marcou. Se por um lado, as desistências se tornam um peso sobre nossos ombros, por outro lado, muitas vezes quando desistimos é porque chegamos ao nosso limite e não damos mais conta de prosseguir. No fim tudo se desvanece em lembranças e fazem de nós o que somos hoje. Não sou violinista, não falo francês, não tenho um blog consolidado e muito visualizado… Mas, mesmo assim, ainda tenho muitos sonhos e muitos desejos. Só espero que, no fim da vida, meus arrependimentos não sirvam para me tornar uma pessoa amargurada, mas sim uma pessoa mais sábia, mais mansa e mais próxima da plenitude. Não dá para viver sem desistir de nada. Mas creio que, mesmo com tudo o que abandonamos, perdemos e abrimos mão, a felicidade ainda é algo verdadeiro se soubermos dar o valor certo a cada coisa.

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